Mar Adentro

Data sáb, 16.04.2005 | Tema: cinema, drama
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Ficha técnica

Espanha, 2004. Drama. 125 min. Direção: Alejandro Amenábar. Com Javier Bardem, Belén Rueda e Lola Dueñas.

O filme conta a história verídica de um homem que luta pelo direito à eutanásia depois de sofrer um acidente que o deixou tetraplégico. Do mesmo diretor de Os Outros. Vencedor do Oscar de filme estrangeiro.

Mais informações: Adoro Cinema.

Comentários

5 estrelas

Vale cinco estrelas lacrimosas. Passei metade do filme chorando, e a outra metade com os olhos embaçados.

A pedra de toque de Mar Adentro é a discussão sobre o direito de morrer, diante de uma vida extremamente limitada. É tema polêmico e, atualmente, na moda - depois do caso Teri Schiavo, bem como graças ao sucesso de Menina de Ouro. O filme analisa vários aspectos da questão: questiona por que as pessoas têm tanta dificuldade em aceitar que alguém queira a própria morte, quando ela chegará para todos, cedo ou tarde; aborda largamente as razões daqueles que estão próximos que os levam a relutar diante da eutanásia; traz aspectos religiosos, morais e jurídicos sobre a matéria.

Não são feitos julgamentos, nem fornecidas respostas -seria impossível fazê-lo, diante de um verdadeiro dilema. A grande contribuição do filme é provocar questionamentos, forçando os espectadores a pensarem sobre o assunto. Algumas passagens merecem destaque:

Advogada, para a cunhada de Rámon, o protagonista:

- O que você pensa de tudo isso?
- Ele quer morrer. Sempre fala isso - dando de ombros.
- Mas você, Manuela, o que pensa?
- O que eu penso não importa. O que importa é o que ele quer.

O irmão de Rámon, para o filho Javier:

- Ele quer morrer, você sabe o que isso significa?! Você nunca mais vai vê-lo!

Dois diálogos que mostram claramente como as pessoas que gostam de alguém que deseja a eutanásia reagem: no primeiro, a posição de Manuela, seca, embora altruísta; no segundo, o irmão de Rámon não encontra argumentos para convencer o filho de que o tio está errado, a não ser um puramente egoísta.

Advogado de Rámon, perante o tribunal:

- Vivemos em um Estado laico. Um Estado que valoriza ao máximo a propriedade privada e a liberdade e que, em nome da dignidade humana, repudia a tortura e os maus-tratos, considerados degradantes. Não é, então, justo que quem se sinta degradado em sua existência possa dela dispor livremente? E, se ele não pode agir sozinho, por que razão quem venha a ajudá-lo comete crime? Quem tenta se suicidar e falha não é punido, justamente porque se acredita que tinha o direito de tentar. No entanto, diante da eutanásia esse Estado, que se diz laico, age para punir , em nome de convicções metafísicas, religiosas, quem auxilia o outro a ter uma morte digna.

Padre, para Rámon:

- Uma liberdade que limita a vida não é liberdade!
- E uma vida que limita a liberdade não é vida!

Notinhas

Os diálogos não foram literalmente transcritos, mas baseados no que me lembrava.

Sim, sou a favor da eutanásia. Sou favorável a que se conceda ao ser humano a autonomia para decidir entre uma vida cheia de limitações e a morte. Acredito que o Estado não deveria se intrometer nessa decisão, pelos mesmos argumentos colocados pelo advogado, no filme.

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