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Fahrenheit 11 de Setembro

Publicado em 06/08/2004, em cinema, documentário.

Ficha técnica

Fahrenheit 9/11. EUA, 2004. Documentário. 122 min. Direção: Michael Moore. Com Michael Moore.

O documentário procura explicar as atitudes e os interesses políticos do governo norte-americano, chefiado por George W. Bush, depois do atentado de 11 de Setembro. Palma de Ouro no Festival de Cannes. Do mesmo diretor de Tiros em Columbine (2003).

Mais informações: Adoro Cinema.

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4 estrelas

O Michael Moore é um excelente documentarista. Quem assistiu a Tiros em Columbine sabe disso. Em Fahrenheit 9/11, ele consegue prender a atenção do espectador por quase duas horas. Combina edições bem-feitas, entrevistas magistralmente conduzidas, imagens fortes e músicas inusitadas de forma perfeita.

O filme foi feito para que George W. Bush não se reeleja. Não começa com o 11 de setembro, mas com as eleições em que Bush derrotou Al Gore de uma forma um tanto misteriosa. Prossegue demonstrando o descaso com que ele conduziu os primeiros meses de governo – como, aliás, sempre tinha conduzido seus negócios. Dá ênfase às relações da família Bush com os Bin Laden.

O atentado de 11 de setembro é mostrado de uma forma tremendamente impactante – resultado que não seria alcançado se Moore usasse as imagens tão insistentemente divulgadas do prédio em chamas.

O documentário segue mostrando as implicações econômicas do atentado – que rendeu dividendos a muita gente –, as medidas tomadas – muitas delas, absolutamente incoerentes – e o absurdo que foi a invasão ao Iraque, tanto do ponto de vista dos iraquianos quanto das famílias americanas. Tem cenas fortes, mas não há forma suave de abordar a guerra. Só acho que 12 anos como censura é pouco.

Alguns momentos marcantes do filme:

  • a displicência que Bush demonstrou ao receber a notícia do atentado;
  • um parlamentar explicando ao Moore que os congressistas não lêem o que aprovam (você acha que no Brasil é diferente?), em alusão ao “Decreto Patriótico” promulgado em razão do 11 de setembro;
  • Moore desfilando em carrinho de sorvete, na frente do Congresso, lendo o tal Decreto;
  • o enfoque dado à manipulação do medo, feita tanto pelo governo quanto pela mídia – algo que já havia sido abordado em Tiros em Columbine;
  • os inocentes iraquianos atingidos pela guerra;
  • os inocentes norte-americanos atingidos pela guerra.

E outros tantos, que não me vêm à lembrança agora.

Em sã consciência, algum norte-americano teria coragem de dar novo voto ao Bush, após esse documentário?

Ah, sim: ao fim da sessão (que estava lotada em plena quarta-feira, num cinema que nunca enche), o público explodiu em aplausos.

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AvatarA autora mora em Brasília e atende por Lu (de Luciana). Ou Lu Monte, já que há um monte de Lus. Mais?

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