Os Normais 2 – A Noite Mais Maluca de Todas

Ficha Técnica

  • País: Brasil
  • Ano: 2009
  • Gênero: Comédia
  • Duração: 1 hora e 15 minutos
  • Direção: José Alvarenga Jr.
  • Roteiro: Alexandre Machado e Fernanda Young
  • Elenco: Luiz Fernando Guimarães, Fernanda Torres, Drica Moraes, Danielle Winits, Daniele Suzuki, Cláudia Raia, Mayana Neiva, Alinne Moraes e Daniel Dantas.
  • Sinopse: Rui e Vani estão completando 13 anos de namoro. Para evitar que o relacionamento deles entre em crise, o casal decide realizar uma grande fantasia. A intenção é apimentar o relacionamento, realizando um ménage à trois. Em busca da parceira ideal, eles sondam uma prima de Vani, uma bicampeã de kickboxing, uma bissexual, uma francesa e uma garota de programa.

Comentários

Os Normais 2 Com a relação esfriando cada vez mais, o ménage à trois parece ser o caminho para recuperar a paixão dos tempos de namoro – mas, como se trata de Rui e Vani, as coisas não correm tranquilamente, para a alegria da plateia.

No geral, o filme vai bem. Algumas situações são forçadas demais, é verdade. Os roteiristas exageraram no pastelão. As piadas mais engraçadas são, justamente, as menos escrachadas (por exemplo, o impagável gráfico da Vani demonstrando como o tempo de relacionamento interfere – para pior – na quantidade de sexo). Embora seja um filme curto, uma cena ou outra ainda poderia ter dançado na edição final, tornando-o mais consistente.

No mais, assim como o primeiro filme, Os Normais 2 é um episódio do seriado em versão estendida, quase como um episódio duplo. As tarjas pretas estão lá, os diálogos ágeis também, Drica Moraes também. Danielle Winits quase passa batido num papel que explora mais sua (boa) interpretação que seus seios. Fernanda Torres e Luis Fernando Guimarães continuam com uma excelente química.

Se você, como eu, é fã do seriado, vai se divertir com o filme. Se espera algo além de um bom episódio, espere passar na tv.

Cotação: 3 estrelas

Serviço

Imagem: divulgação.

Juno

Ficha Técnica

  • Título original: Juno
  • País de origem: EUA
  • Ano: 2007
  • Gênero: Comédia
  • Duração: 92 minutos
  • Direção: Jason Reitman, que também dirigiu Obrigado por Fumar.
  • Roteiro: Diablo Cody
  • Elenco: Ellen Page, Michael Cera, Jennifer Garner, Jason Bateman, Allison Janney, J.K. Simmons.
  • Sinopse: Juno, uma jovem de 16 anos, engravida sem querer e procura casal que queira adotar o bebê.

Comentários

Juno Juno é uma dramédia, como convencionou-se chamar histórias que misturam drama e humor em doses tão semelhantes que se torna difícil classificá-las em um ou outro gênero. Juno faz essa mistura muito bem, valendo-se de cenas ágeis e de uma protagonista muito talentosa, a canadense Ellen Page.

A forma como o filme lida com a gravidez na adolescência também é ótima. Também não há longas e tediosas lições de moral sobre a falta de cuidado dos adolescentes, o sexo irresponsável e sem compromisso, o perigo da transmissão de doenças sexualmente transmissíveis, os males da gravidez na adolescência. Juno não enche a paciência do espectador.

A discussão sobre o aborto tangencia a história, mas não há tomada de posição contrária ou favorável. Juno faz sua escolha e segue em frente. Ótimo. Discussões sobre o tema costumam vir encharcadas de preconceitos (no sentido literal mesmo, conceitos preexistentes) e dificilmente levam a algum lugar. Sou partidária do “cada um na sua”, e o filme segue essa linha.

O que me incomodou, especialmente na reta final, foi a romantização, a água-com-açúcar transbordante e melada. Juno desenvolve uma ótima e realista trama, para derrapar no final e sucumbir à pieguice desmedida. É o velho “nadou tanto e morreu na praia”. Seria um melhor filme se evitasse os clichês sobre o amor com a mesma maestria com que evita julgamentos. Do jeito como ficou, Juno é um filme bonitinho, mas falta-lhe um algo mais.

Juno concorre ao Oscar 2008 em 4 categorias: melhor filme, melhor direção, melhor roteiro original e melhor atriz. Não é para tanto: Juno é um filme fácil; não tem a complexidade de Desejo e Reparação, por exemplo, e não demanda uma direção primorosa. Por outro lado, o roteiro é a alma do filme e a interpretação é seu sopro de vida – sem dúvida, Ellen Page e Diablo Cody mereceram as indicações.

Cotação: 3 estrelas

Serviço

Scoop – O Grande Furo

Sondra: Você sempre vê o copo meio vazio.
Sidney: Ao contrário, eu sempre vejo o copo meio cheio – de veneno!

Ficha Técnica

Scoop. EUA, 2007. Drama. 96 minutos. Direção: Woody Allen. Com Hugh Jackman, Scarlett Johansson, Ian McShane, Woody Allen.

Uma estudante de jornalismo (Scarlett Johansson) busca o furo de sua vida, envolvendo-se com um aristocrata inglês (Hugh Jackman).

Mais informações: Adoro Cinema.

Comentários

3 estrelas

Seria demais esperar que o filme de Woody Allen que se seguisse a Match Point alcançasse o mesmo brilho. Scoop guarda semelhanças com seu antecessor (ambos se passam em Londres e contam com Scarlett Johansson, nova musa do diretor), mas não o supera – nem se aproxima disso.

Não que não mereça ser visto. Até porque filme de Woody Allen é como pizza: até quando é ruim, é bom. E Scoop está longe de ser ruim. Em tempos em que não se diferencia vulgaridade de humor, o cineasta é um alento. Scoop, como seus outros filmes, vem recheado de humor negro, brincando, inclusive, com a morte – algumas das cenas mais engraçadas se passam na barca de Caronte, fazendo rir pelo simples fato de terem um cenário tão surrealista.

Allen também atua no filme, hábito deixado de lado desde Igual a Tudo na Vida. O mágico picareta Sidney Waterman, neurótico e inseguro, cai como uma luva para o diretor. São de Sid as tiradas mais sarcásticas do roteiro.

Como bônus, espectadores e espectadoras podem se beneficiar de dois belos colírios para os olhos: a sensual-mas-inocente Scarlett Johansson e o homem-pra-mais-de-metro Hugh Jackman. Além de belos, interpretam muito bem seus papéis.

Woody Allen parece tão à vontade com seu próprio talento e com a legião de fãs que conquistou que não se sente obrigado a fazer uma nova obra-prima por ano. Scoop é assim, descompromissado. Uma história divertida, sem lições de moral, sem grandes ensinamentos ou construções geniais, perfeita para ser assistida num fim de tarde tranqüilo.

O Cheiro do Ralo

Ficha Técnica

Brasil, 2006. Comédia. 112 minutos. Direção: Heitor Dhalia. Com Selton Mello, Paula Braun, Lourenço Mutarelli, Flávio Bauraqui, Fabiana Guglielmetti, Sílvia Lourenço.

Lourenço (Selton Mello), dono de uma loja que compra e vende objetos usados, vê-se em apuros após ter que se relacionar com uma de suas clientes, que julgava estar sob seu controle.

Mais informações: Adoro Cinema.

Comentários

5 estrelas

Parece que os filmes nacionais sempre vêm sob rótulos: antes, era o cinema novo, depois foi a pornochanchada. Recentemente, a comédia de situação. Não que haja algum demérito em seguir padrões de sucesso a cada época. Por outro lado, é agradável ver um filme ignorar tendências e crescer por si mesmo. É o caso de O Cheiro do Ralo.

Quem espera uma comédia como O Auto da Compadecida ou O Coronel e o Lobisomem, dois outros filmes que têm Selton Mello como protagonista, pode começar a rever seus conceitos. Em O Cheiro do Ralo, a comédia anda de mãos dadas com o drama e o papel de Selton Mello é bem diferente daqueles em que o público está acostumado a vê-lo.

Lourenço é um sujeito misantropo e taciturno. Sua interação com outros seres humanos dá-se na base da compra e venda (ou apenas compra, já que não se vê nada sendo vendido na loja que lhe pertence). Seu olhar sobre as pessoas não é diferente do que lança aos objetos que lhe são apresentados. Não por acaso, nenhum personagem tem nome além do próprio Lourenço. O protagonista coisifica todos que o rodeiam, avalia-os de cima abaixo em busca de alguma utilidade ou função para si próprio. Assim, mantém tudo sob o estrito domínio dos seus interesses – ou quase tudo.

As maiores frustrações de Lourenço são, justamente, as duas únicas “coisas” que não pode controlar: o cheiro do ralo do banheirinho de seu galpão e a garçonete da lanchonete da esquina. Esses elementos se tornam, conseqüentemente, suas grandes obsessões.

O Cheiro do Ralo, em termos visuais, é muito simples – aliás, foi filmado com a cara e a coragem, gastando modestíssimos, 300 mil reais, uma ninharia para um longa-metragem. O que chama a atenção é o discurso. Num filme, espera-se encontrar vários pontos de vista, colocados obviamente ou não. Em O Cheiro do Ralo, a narrativa é toda em primeira pessoa. A câmera acompanha o olhar de Lourenço, com poucos escapes – e, mesmo durante estes, a perspectiva é a de Lourenço. A direção de Heitor Dhalia entrega aos espectadores a idéia de que Lourenço é o centro do mundo, exatamente como lhe parece.

Lourenço guarda inegável semelhança com Mersault, personagem psicopata do livro O Estrangeiro, de Albert Camus. O caráter obsessivo do protagonista de O Cheiro do Ralo contribui, ainda, para aproximá-lo do livro O Processo, em que Joseph K. sente-se torturado por não descobrir as causas que o levaram a ser processado. O existencialismo é a tônica do filme.

Haverá quem critique a produção pelas cenas de nudez – que, realmente, seriam apelativas se não tivessem um contexto, evidenciando ainda mais a coisificação das criaturas. Minha única crítica é que O Cheiro do Ralo tenta se explicar demais, fazendo questão de traduzir em palavras suas idéias. Talvez tantas explicações sejam necessárias para que a história se faça compreender pelo grande público.

O Cheiro do Ralo é daqueles filmes que entrarão para a história do cinema nacional, graças à qualidade de seu argumento e à ousadia de sua equipe.

Merece destaque a atuação de Sílvia Lourenço como uma viciada em desespero. O filme traz, ainda, as participações especiais de Suzana Alves, a Tiazinha, como uma professora de ginástica, e de Paulo César Peréio como a voz do pai da noiva de Lourenço.

Referências