Farofa de Natal

Bem, na verdade, é apenas “farofa”. O “de Natal” é porque há décadas ela é a receita natalina tradicional da família – toda família tem a sua, certo? Essa é invenção do Sr. Monte e, embora os ingredientes possam variar ligeiramente de um ano para outro, a banana é a estrela do prato e sempre está presente. O preparo é simples, mas o mis en place é fundamental. O resultado é uma mistura de doce e salgado muito bem-vinda e perfeita para acompanhar o peru, o chester, o lombo…

Ingredientes

  • 600 gramas de carne (de boi ou de porco) previamente assada
  • 200 gramas de linguiça (recomenda-se a calabresa)
  • 200 gramas de bacon de qualidade
  • 4 bananas nanicas maduras, mas firmes
  • 1 cebola média
  • 50 a 100 gramas de ameixas pretas secas sem caroço
  • 50 a 100 gramas de uvas passas (brancas ou pretas) sem semente
  • 4-5 colheres (de sopa) de azeitonas verdes picadas
  • farinha de mandioca, q/b
  • sal e pimenta-do-reino moída a gosto

Você também precisará de

  • panela grande e funda

Preparo

Pique o bacon em cubinhos, frite, retire o excesso de gordura com papel-toalha e reserve-o numa trouxinha de papel alumínio.

Farofa de Natal
Prontinha!

Na gordura do bacon (despreze o excesso, deixe apenas o necessário), frite a linguiça e a carne, cortadas em cubos.

Adicione a cebola picadinha e deixe dourar. Tempere com sal e pimenta.

Junte as ameixas, as uvas passas e as azeitonas, mexendo por uns 2 ou 3 minutos.

Acrescente as bananas picadas em pedaços grandes (3 a 4 cm.)

Mexa tudo com cuidado para não amassar as bananas (faça movimentos de baixo para cima). Quando as bananas começarem a cozinhar (elas douram e amolecem um pouco), adicione a farinha de mandioca aos poucos, apenas o suficiente para que ela envolva os demais ingredientes.

Na hora de servir, espalhe o bacon crocante por cima da farofa.

Farofa de Natal
Feliz Natal!

Dicas e Complementos

As quantidades dos ingredientes, e os próprios ingredientes, são flexíveis. Se não gosta de uva passa, por exemplo, é só não colocar. Abacaxi em pedaços também entra bem na receita.

  • Tempo de preparo: se todos os ingredientes já estiverem separados e picados, uns 20 minutos
  • Grau de dificuldade: fácil
  • Rendimento: seis porções

Boeuf Bourguignon (adaptado)

Quando o senhor meu pai avisou que faria bouef bourguignon no fim-de-semana, lembrei na hora de Julie e Julia (veja o filme, leia o livro etc. etc. – mas o filme é bem melhor que o livro, coisa rara), da tragédia que foi esse prato na vida da protagonista e, bem, sabia que não seria uma missão fácil. Então, diferentemente da maior parte das receitas que posto aqui, já aviso que esta não é simples. Não é propriamente difícil, mas há várias etapas e é demorada. O Sr. Monte fez algumas adaptações que contribuíram para a redução do tempo de preparo (especialmente por usar uma carne mais macia).

O resultado desse trabalho todo compensa: o cheiro se espalha deliciosamente pela casa toda e o sabor é divino!

Ingredientes

  • 500 gramas de filé mignon cortado em cubos
  • 400 ml. de vinho tinto seco
  • 100 gramas de champingnon em conserva
  • 50 gramas de farinha de trigo
  • 8 cebolas roxas pequenas
  • 2 cenouras descascadas e cortadas em rodelas
  • 50 gramas de bacon picadinho
  • 30 ml. de azeite (cerca de 2 colheres das de sopa)
  • 20 gramas de manteiga (uma colher das de sopa)
  • 2 dentes de alho picados
  • quanto baste de cheiro verde (tomilho, salsinha, cebolinha, louro)

Você também precisará de

  • panela grande e funda
  • frigideira

Preparo

Amarre o cheiro verde com um barbante, ou com uma cebolinha resistente (o nome “chique” é bouquet garni) e reserve.

Em uma panela funda, frite o bacon no azeite até ficar dourado, e reserve.

Frite a carne na mesma gordura até dourar. Reserve.

Doure as cebolas inteiras (sempre na mesma gordura), e reserve.

Boeuf Bourguignon (adaptado)
Quase pronto.

Refogue o alho. Retorne a carne, a cebola e o bacon para a panela. Acrescente a cenoura.

Adicione o vinho. Tampe a panela e deixe cozinhar por meia hora.

Em uma frigideira, derreta a manteiga e refogue o champignon. Acrescente-o ao cozido e deixe cozinhar destampado por mais meia hora.

Quando a carne estiver macia, adicione a farinha dissolvida em água, misture bem e acrescente o bouquet garni. Deixe cozinhar por mais uns quinze minutos, até o caldo engrossar. Retire o cheiro-verde.

Sirva com arroz branco, batata ou pão italiano.

Dicas e Complementos

Boeuf Bourguignon (adaptado)
O trabalho vale a pena!

O vinho não precisa ser excelente, mas deve ser decente. O cheiro e o sabor do vinho são penetrantes nessa receita. Com menos de vinte reais, você consegue um vinho decente em qualquer supermercado (sugestões: Concha y Toro, Tarapaca, Santa Helena). Em hipótese alguma use vinho suave!

A receita original leva fraldinha. O sabor fica mais acentuado, mas demora o dobro do tempo pra cozinhar a carne.

Há outras modificações nessa receita, que não tem a pretensão de ser “tradicional”, apenas saborosa.

  • Tempo de preparo: umas duas horas, no mínimo
  • Grau de dificuldade: moderado
  • Rendimento: quatro porções generosas

Tomates Secos

Fazer tomates secos em conserva em casa é fácil, e ficam mais gostosos que os comprados no supermercado, mas você precisará de alguma paciência.

Ingredientes

  • 3 quilos de tomates maduros
  • sal para polvilhar
  • açúcar para polvilhar
  • azeite

Você também precisará de

Preparo

Tomates secando ao sol.
Tomates secando ao sol.

Lave bem os tomates, corte-os ao meio e retire a polpa e as sementes. Disponha-os sobre as formas e polvilhe-os com sal e um pouquinho de açúcar. Exponha-os diretamente ao sol forte para que desidratem, por várias horas, durante uns dois ou três dias. Nesse meio tempo, retire a água que se acumula nas formas e torne a polvilhar os tomates com sal.

Se não for possível expor os tomates ao sol, leve as formas ao forn0 a gás, mantendo-o entreaberto e na temperatura mais baixa. Ficarão prontos em cerca de três horas.

Arrume os tomates nos vidros, complete-os com azeite e tampe. Guarde-os na geladeira.

Dicas e Complementos

Você pode acrescentar grãos de pimenta ou ervas nos vidros.

Use a conserva em saladas, pizzas, sanduíches ou como desejar.

Dois vidros dos de azeitona (um de 500 gramas, um de 250 gramas) deverão ser suficientes para acondicionar a conserva. Encha-os completamente com azeite, para que os tomates durem por mais tempo.

Você pode aproveitar a polpa e as sementes para fazer um excelente molho.

  • Tempo de preparo: 3 horas no forno, dois ou três dias sob o sol – mas você não tem que fazer quase nada durante esse tempo.
  • Grau de dificuldade: fácil
  • Rendimento: cerca de 800 gramas, já com o azeite (ou dois vidros médios)

Vinum Brasilis

Eu sempre deixo pra fazer esse post mais perto da data e… acabo esquecendo. Pois bem, esse ano vou falar sobre o Vinum Brasilis ainda em abril, e você marque no seu calendário: ele acontece em agosto. 😉

Vinum Brasilis 2012
Nero Gold Chardonnay, com flocos de ouro.

O Vinum Brasilis vai pra sétima edição em 2014 e é uma ótima oportunidade para degustar vinhos nacionais, inclusive aqueles que não são facilmente encontrados no mercado (o que pode ser um tanto frustrante). Não perco desde 2012. Naquele ano, a grande novidade foi o espumante Nero Gold, da vinícola Domno, com flocos de ouro comestível 23 quilates. A gente come primeiro com os olhos… e bebe primeiro com os olhos também, então só de ver o brilho o espumante já ficava mais saboroso. 😉

Em 2013, preocupei-me em anotar minhas impressões sobre um vinho ou outro (a gente prova dezenas e acaba registrando só os que chamam muito a atenção mesmo – e, se não anotar, mal vai se lembrar no dia seguinte). O Brasil brilha nos espumantes e na Vinum Brasilis são encontrados vários ótimos. O Perini foi muito, muito agradável. Contudo, dia desses o Sr. Monte comprou uma garrafa e ela não estava tão boa, tinha um certo amargor (por outro lado, ele comprou um rosé Perine tempos atrás que estava muito bom).

Saindo dos espumantes, havia bons vinhos brancos, mas nenhum que me marcasse.

Vinum Brasilis 2012
Sr. Monte e eu na Vinum Brasilis 2012.

Quanto aos tintos, nunca gostei dos brasileiros. Acho-os muito aguados e/ou muito doces. Alguns que estavam na Vinum Brasilis 2013, porém, estavam ótimos. O cabernet da Salton, por exemplo, surpreendeu. Dentre os que tomei (é impossível provar todos), o melhor tinto foi da Sozo, produzido em Vacaria (RS). O dono da vinícola, José Sozo, estava lá demonstrando, batendo papo e contando histórias. Já no fim da feira, formou-se uma rodinha em torno da mesa e dos cabernet e merlot muito prazerosos que ele trouxe. Infelizmente, porém, não estão à venda em Brasília. Segundo Sozo, não é fácil que pequenos produtores consigam espaço nas gôndolas da cidade.

A Vinum Brasilis acontece em meados de agosto, em algum lugar do Plano Piloto (com serviço de transporte gratuito para alguns pontos da cidade  – ou seja, dá pra beber, sim!). Nos últimos anos, o convite custou 60 reais. Esse preço inclui a degustação dos vinhos e vários petiscos (pães, queijos, embutidos e, em 2013, rolaram umas estações de massas e saladas). No blog Decantando a Vida, você sempre fica sabendo do início da venda dos ingressos (em julho). Aí é comprar logo, porque eles são limitados, viu?

A gente se vê na próxima Vinum Brasilis!