Dia de Folga » Opinião com gelo e laranja.

Borat (ou O Pior Filme de Todos os Tempos)

Publicado em 16/03/2007, em cinema, comédia. Tags: , , ,

Ficha Técnica

Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan. Em português: Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América. 2006. Comédia. 84 minutos. Direção: Larry Charles. Com Sacha Baron Cohen, Ken Davitian, Luenell, Pamela Anderson.

Borat Sagdiyev (Sacha Baron Cohen) é um jornalista do Cazaquistão que deixa o país rumo aos Estados Unidos, na intenção de fazer um documentário. Durante sua viagem pelo país ele conhece pessoas reais, que ao reagir ao seu comportamento primitivo expõem o preconceito e a hipocrisia existentes na cultura americana.

Mais informações: Adoro Cinema.

Comentários

Nenhuma estrela

Em duas palavras: mau gosto.

Borat tem sido estranhamente enaltecido como um filme que denuncia a hipocrisia e o preconceito norte-americanos (a própria sinopse acima afirma isso). No fundo, não passa de uma comédia pastelão tremendamente vulgar.

Humor inteligente é uma palavra desconhecida à equipe do filme: as piadas são tão óbvias e rasteiras quanto as do “clássico” da Sessão da Tarde Porky’s. O riso, da mesma forma, é fácil nos primeiros minutos; em seguida, começa a aflorar um sentimento de “o que estou fazendo aqui?” que aumenta ao longo do filme e culmina num “não acredito que paguei para ver isso!”.

Existem várias formas de escrever uma boa comédia. Pode-se adotar a boa e velha abordagem romântica, como fez muito bem Letra e Música, em cartaz; podem-se usar recursos de animação para contar histórias infantis que divertem, também, os adultos (Shrek já vai para a terceira edição); existem paródias excelentes, como Cowboys do Espaço; e o fino humor negro das comédias de Woody Allen é sempre uma boa pedida. Claro que fazer rir com inteligência não é para qualquer um.

Por outro lado, é muito simples escrever uma comédia de baixo nível. O ator britânico Sacha Baron Cohen, protagonista e roteirista de Borat, escolheu esse caminho. Situações ridículas, freqüentemente humilhantes, às vezes constrangedoras de tão grosseiras, são a tônica do filme. A diversão preferida da equipe é debochar do american way of life e, de quebra, das culturas ocidentais de forma geral, já que o norte-americano não é proprietário dos hábitos do Ocidente. Ou algum povo vizinho acharia corriqueiro ir ao banheiro e guardar as fezes num saquinho, ao invés de simplesmente usar o vaso sanitário e dar descarga?

A pior parte é que Borat ofende profundamente o Cazaquistão, criando a imagem de que seu povo é ignorante, primitivo, imbecil, incapaz de perceber as diferenças culturais que, naturalmente, existem entre o Ocidente e o Oriente. Borat não mostra que, talvez-quem-sabe, uma parte da população seja ignorante, mas que todos os seus habitantes são jumentos – já que “o segundo melhor repórter” do país (teoricamente, pertencente a uma elite intelectual) é tão estúpido, o que esperar dos demais cazaquistaneses?

Não espanta que a diplomacia do Cazaquistão tenha tomado providências para desfazer qualquer má impressão causada pelo escatológico (literalmente) filme. Se o Brasil fosse retratado de forma tão deplorável, seria altamente desejável que o governo tomasse alguma posição. O comportamento retratado no filme equivaleria a afirmar que um dos melhores repórteres brasileiros, em viagem ao Japão, palitaria os dentes com hashi, os “pauzinhos” usados como talheres do outro lado do mundo.

Na verdade, equivaleria a coisa pior, mas fogem-me as metáforas.

Para completar, Borat subestima a inteligência dos espectadores que esperavam estar diante de um filme realmente crítico, não apenas uma produçãozinha de quinta categoria, apelativa e descartável. É frustrante pensar que uma idéia tão boa quanto a crítica à mania ocidental de achar-se melhor que as demais culturas foi jogada, desastrosamente, no lixo.

Talvez, apenas talvez, não seja o pior filme de todos os tempos. Certamente, contudo, foi o pior filme que ganhou destaque favorável na mídia na história da crítica de cinema.


53 comentários para “Borat (ou O Pior Filme de Todos os Tempos)”

  1. José disse:

    Só para completar, respondendo ao Jonas aí acima: Vc não é machista, não Jonas, apenas é desinformado. Não é compreeensível pelo que vc pensou: As mulheres que vc supõe não gostarem do filme são essas que estão dominando o mundo, por serem inteligentes, sensíveis. E os homens, à medida que adquirem conhecimento, cultura, nível superior, maturidade gostam dos gênios que fazem sucesso até post-mortem, que têm conteúdo, presença de espírito. SÓ QUE É ESCROTO É QUE FAZ M PRA CHAMAR A ATENÇÃO!…. Busque na História da Humanidade e vc verá Inteligentes críticas de Costumes.
    Agora como professor, atesto o porquê de o nível educacional estar à deriva, num verdadeiro apagão de qualidade!

  2. Rafael M disse:

    O grande problema de algumas pessoas q fazem critica, é levar humor muito a sério.
    Nem todo mundo se sente ofendido, e tem pessoas q entendem a mensagem, q existem diferenças culturais entre paises, mas o filme mostra tbm as internas e sua hipocrisia.
    E outra coisa, nem tudo é pra ter uma mensagem, o fato de ser escrachado e fazer ri ja pode ser o objetivo de um filme de COMÉDIA, nem todo mundo precisa gostar obvio, mas não é por isso q é ruim

  3. José Alves disse:

    Vocês conseguiram assistir o filme até o fim?
    Pêsames!

    José Alves

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Lu MonteA autora mora em Brasília e atende por Lu (de Luciana). Ou Lu Monte, já que há um monte de Lus. Mais?

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