Afinal de contas, pra quê?

Data Qui, 21.09.2006 | Tema: Crônicas
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De repente, você percebe que não tem mais paciência pra coisinhas como paqueras e jogos de conquista. Você não sabe ao certo em que momento deixou de gostar dos tais joguinhos, mas o fato é que já deu. Não quer mais brincar, e ponto final.

Talvez seja a tal da auto-suficiência a grande responsável. Você se sente tão bem sozinha que o impede que saia por aí procurando companhia. Acha que não compensa o trabalho.

Você nem sente inveja dos casais apaixonados beijando-se pelo shopping. É verdade, até houve um tempo em que essa cena arrancaria tristes suspiros. Faz anos, no entanto, que o ceticismo é tamanho que você já enxerga o pacote completo: brigas, ciúmes, quem-é-essa-sirigaita-ligando-às-onze-horas-da-noite-de-sexta-feira, dificuldades para conciliar o namoro com os mil afazeres do cotidiano, alterações de humor, dependência emocional e por aí afora. Sua vida é tão mais tranqüila sem tudo isso!

Por outro lado – ou talvez exatamente por isso – a fase inicial do relacionamento é absolutamente desmotivadora. O primeiro encontro: com que roupa que eu vou?, será que ele vai gostar de mim?, será que a conversa vai fluir?, e se ele for um psicopata? Se o beijo for bom você está no lucro, mas e se for in-su-por-tá-vel? Tudo corre bem na primeira saída, e os encontros se sucedem – e aí, quando já existe algum tipo de compromisso? Qual é a hora certa para transar? Como me comporto? Será que ele vai me achar uma ninfomaníaca, ou será que vai pensar que sou puritana demais? E o dia seguinte?

Se o relacionamento deslanchar, passa-se a outra série de dúvidas: para onde viajar nas férias? Como conciliar as datas comemorativas com as famílias de ambos? Morar junto? Casar? Filhos? Quantos? E o dinheiro?

Bem pesadas e bem medidas todas as questões, fica difícil vencer a preguiça e aceitar o convite daquele ilustre desconhecido para sair no sábado à noite. Simplesmente, não vale a pena. Melhor ficar em casa, quietinha, sem encrencas. A vida é sua, só sua, e ninguém dita as regras.

E você assiste a horas de Sex and the City sem um pingo de ressentimento, absolutamente feliz e tranqüila.

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