O excelentíssimo senhor Presidente da República dignou-se a fazer um pronunciamento ao país hoje, em cadeia nacional.
Em suma, Lula afirmou estar a par da gravidade da crise política, pediu desculpas à nação pelo PT e disse estar “tão ou mais indignado quanto qualquer brasileiro”. Também disse que não sabia de nada que estava acontecendo e pediu punição aos culpados. Aproveitou para declarar que o Brasil não pode parar por causa dessa crise e que a reforma político-partidária é urgente.
Ainda bem que ele tem noção da gravidade do cenário político atual. Se não tivesse, seria indício claro de alienação mental.
Agora, declarar-se inocente é um pouco demais. Como um Presidente da República podia não ter noção do que acontecia sob suas barbas (literalmente)? A velha história: se não sabia, era incompetente; se sabia, era corrupto; qualquer dos casos é terrível e não admite escusas.
Esse pronunciamento veio tarde demais. Passou do ponto. O Presidente perdeu o bonde e a chance de se explicar logo no começo da crise, há dois meses. Só agora, quando a situação ameaça atingi-lo e a imprensa já fala abertamente na possibilidade de impeachment, só agora ele achou importante vir a público – não da forma demagógica como tem feito nos últimos tempos, para meia dúzia de três ou quatro partidários, mas abertamente, para o Brasil inteiro.
É como o sujeito que, acusado de um crime, passa meses foragido e somente quando se vê num beco sem saída resolve se entregar e declara-se inocente. Difícil de acreditar.