Se é pra radicalizar…

Depois do assassinato de uma família no Espírito Santo, motivado por aposta entre jogadores de RPG (role playing game), deputados capixabas protocolaram projetos de leis que visam à proibição da venda de livros para o jogo. O mesmo rebu já tinha acontecido em 2001, quando a estudante Aline Silveira Soareso foi assassinada em meio a uma partida do jogo. Os vereadores de Vila Velha chegaram a aprovar projeto de lei proibindo a comercialização dos livros (não encontrei confirmação de que o projeto tenha sido sancionado pelo Executivo local).

É isso aí. Vamos proibir a venda de livros de RPG. Vamos marginalizar os seus jogadores e taxá-los de bandidos.

Aproveitemos para banir, também, a exibição de filmes violentos e os desenhos animados de combates e tiros. Proibamos, ainda, as facas de cozinha, instrumentos de tantos crimes, e as banheiras, que podem servir para o afogamento. Ah, não esqueçamos de condenar todo e qualquer jogo de cartas, fonte potencial de apostas macabras.

Pessoas desequilibradas existem em qualquer meio. De uma forma ou de outra, acabam por extravasar sua insanidade. Podem usar como válvula de escape um jogo, um romance, uma novela ou o raio que os parta.

O que não faz sentido é tomar alguns loucos e usá-los como padrão para condenar todo um passatempo que, para noventa e nove por cento dos seus usuários, é lúdico e recreativo.

Ignorância e preconceito motivaram, ao longo da História, infinitamente mais mortes que todas as atividades de lazer somadas.

Descobertas recentes

Ainda tem muito o que acertar nesse template, mas chego lá, especialmente se puder contar com os pitacos e os plugins dos usuários WordPress – como o Orlando, que deu a dica para deixar os meses e os dias da semana em português. O Letras com Garfos é o primeiro blog não-brasileiro da minha listinha. Além de ter um conteúdo interessante, vale pela curiosidade de se ler o “português de Portugal”.

A Aninha também está blogando com o WordPress, correndo atrás dos recursos desse programinha e fugindo de mal-entendidos. Boa sorte para nós duas.

Casa nova!

Sejam muito bem-vindos! Ainda estou arrumando os detalhes… mas, se esperar tudo ficar ao meu gosto, não inauguro este espaço nunca!

Depois de quase três semanas de trabalho, eis o resultado. O blog, agora, é parte de um site. Transferi para cá as fotos que tinha no www.diadefolga.pop.com.br. O weblogger também foi aposentado – agora, uso uma plataforma própria, o WordPress.

Foi uma semana de pesquisa até, finalmente, registrar o domínio e contratar a hospedagem. Mais uma semana tentando configurar o Movable Type. Quando esgotei minha paciência (e, provavelmente, a do administrador da hospedagem), comecei a procurar outro programa. O WordPress é largamente elogiado por seus usuários pela sua praticidade e por ser atualizado com frequência. Além disso, seu código é aberto, o que motiva muita gente a fazer plugins interessantíssimos. Decidi testar.

Escolha feita, veio o medo de mais uma instalação frustrada. Qual o quê! Em cinco minutos, o programa estava rodando.

Seguiu-se o desafio de personalizar o template. Primeiro, o WordPress usa folha de estilos – o que é ótimo depois de tudo arrumado, mas rendeu-me um pouquinho de trabalho pela falta de familiaridade com CSS. Em seguida, o maior problema: o código é todinho em php. Um choque para quem nunca passou do html e usou o primeiro javascrip na semana passada. Confesso que quase desisti. Nada, porém, que um pouco de paciência não dê jeito. O maior risco é, pela falta de conhecimento, alterar alguma linha importante, o que fiz algumas vezes. Basta manter um arquivo de backup e tudo se resolve.

As últimas horas foram dedicadas a achar plugins e personalizar os seus templates.

No fim das contas, um fim-de-semana com menos (muito menos!) horas de sono que o recomendável. Valeu, pois a casa já está pronta para receber visitas!

Peço encarecidamente que informem qualquer problema que tenham, especialmente na seção de comentários.

No mais, entrem e fiquem à vontade! Se quiserem, façam uma visitinha às outras páginas.

A casa é nossa!

Atualização – 21 de agosto de 2006

Estou transferindo para este endereço as receitas e resenhas de filmes publicados no weblogger. Na verdade, os textos já estavam disponíveis via WordPress, mas em forma de páginas e não de “posts”. Os “posts” são mais facilmente organizáveis e permitem uma personalização por categoria muito interessante, que será implementada.

Enfim, para não bagunçar toda a cronologia do Dia de Folga, optei por bagunçar apenas o dia seguinte à sua abertura no WordPress, 17 de maio de 2005. Assim, todas as resenhas de cinema e receitas serão republicadas nesta data. Emobra soe meio artificial, trata-se de dois assuntos para os quais a data de publicação é realmente irrelevante; o que importa, de fato, é que entrem na estrutua do blog.

Mudei de idéia: os textos transferidos para cá serão marcados com a data de publicação original. 😉

Divirtam-se!

A Outra Face da Raiva

Ficha técnica

The Upside of Anger. EUA/Alemanha, 2005. Drama. 118 min. Direção: Mike Binder. Com Joan Allen, Kevin Costner, Erika Christensen, Evan Rachel Wood.

Terry Wolfmeyer (Joan Allen) é uma mulher tranquila, que passa por uma verdadeira transformação emocional após seu marido desaparecer sem qualquer explicação. Obrigada a justificar a todos sua ausência, ela passa a beber para controlar sua raiva e se desentende cada vez mais com suas filhas Andy (Erika Christensen), Emily (Keri Russell), Lavender (Evan Rachel Wood) e Hadley (Alicia Witt). É quando ela conhece Denny (Kevin Costner), um vizinho charmoso e beberrão com quem inicia um relacionamento.

Mais informações: Adoro Cinema.

Comentários

3 estrelas

A raiva, para algumas pessoas, é a única saída para lidar com a dor. A Outra Face da Raiva concentra-se nessa saída – daí o título – mas traz outras, também: a negação, a ironia, a doença de fundo emocional, a bebida, a arte. Todas fugas diante da solidão e da carência. Reações que, na verdade, tendem a aumentar essa mesma solidão e essa mesma carência da qual se deseja tanto fugir.

Apesar do tema forte, o roteiro está longe de ter a densidade de Closer, por exemplo. Não vem recheado de grandes diálogos, contentando-se com a superficialidade do tema. Lá pelos últimos minutos, tem-se algumas frases mais interessantes, como essa: “As pessoas não sabem amar. Mordem em vez de beijar. Batem em vez de acariciar”. A pedra de toque é que o medo de se envolver é tão grande que sobrepuja o desejo desse mesmo envolvimento.

O filme é despretensioso até no orçamento – pouco mais de 13 milhões de dólares. O grande destaque fica para o elenco, muito afinado, com Kevin Costner no papel de um anti-galã, Joan Allen e as quatro atrizes que fazem suas filhas excelentes nos papéis.

Por simples que seja, é capaz de provocar alguma reflexão: por que fugimos tanto? Quais os mecanismos dessa fuga? De que temos tanto medo, afinal?